29/10/2025
Bancários estão entre as categorias com mais afastamentos por adoecimento mental, mostra levantamento do INSS
Os bancários estão entre as categorias com maior número de afastamentos por doenças mentais relacionadas ao trabalho no Brasil. Dados do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), compilados pela plataforma Smartlab, mostram que gerentes de banco ocupam o segundo lugar e escriturários o terceiro no ranking de profissionais com mais pedidos de afastamento por transtornos mentais reconhecidos como doença ocupacional (B91) entre 2012 e 2024.
O levantamento aponta que o top 5 das categorias com mais afastamentos por saúde mental no período é composto por motoristas de ônibus, gerentes de banco, escriturários de banco, técnicos de enfermagem e vigilantes.
O crescimento recente é alarmante: entre 2023 e 2024, o total de afastamentos por transtornos mentais (somando benefícios relacionados ou não ao trabalho) saltou de 283 mil para 471 mil, um aumento de 66% em um único ano.
Segundo o INSS, o enquadramento como doença ocupacional (B91) ocorre quando a perícia médica reconhece que o problema de saúde tem relação direta com o trabalho. No caso dos gerentes de banco, 37,76% dos 13 mil afastamentos foram classificados como B91 — a maior proporção entre as categorias analisadas. Já entre os escriturários, apenas 18,77% dos quase 23 mil casos tiveram o mesmo reconhecimento.
Para o secretário de Saúde da Contraf-CUT, Mauro Salles, os dados revelam uma crise silenciosa de saúde mental que reflete o modelo de gestão adotado nos bancos. “Até quando iremos assistir a essa situação e não enquadrar as empresas? Isto não é coincidência, é sintoma de um problema estrutural”, alerta o dirigente.
Salles defende que as instituições financeiras assumam responsabilidades concretas e adotem medidas efetivas para prevenir o adoecimento psíquico. “Chegou o momento de exigir que as instituições adotem sistemas de prevenção de adoecimento psíquico — gestão de riscos psicossociais, revisão das metas, combate ao assédio e vigilância algorítmica. Elas precisam responder pelos efeitos dos seus modelos de negócio sobre a saúde dos trabalhadores”, reforça.
Para ele, o Estado e os órgãos fiscalizadores também precisam agir. “Não basta acompanhar. É preciso intervir. É inadmissível que trabalhadores bancários e de outros segmentos econômicos carreguem o peso de lucros, automação e metas agressivas sem que exista regulação eficaz, fiscalização incisiva e sanções reais”, afirma.
A Contraf-CUT vem alertando há anos para os impactos do excesso de metas, da sobrecarga de trabalho e das novas tecnologias de controle sobre a saúde dos bancários. A entidade defende o fortalecimento das políticas públicas de saúde do trabalhador e a aplicação efetiva da Lei nº 11.430/2006, que criou o Nexo Técnico Epidemiológico Previdenciário (NTEP), mecanismo que deveria facilitar o reconhecimento de doenças relacionadas à atividade profissional, mas que, segundo especialistas, vem sendo subutilizado.
“Existe um apagamento do nexo técnico epidemiológico”, afirmou a médica Maria Maeno, pesquisadora da Fundacentro, reforçando que o adoecimento mental relacionado ao trabalho ainda enfrenta grande dificuldade para ser reconhecido, tanto pelas empresas quanto pela Previdência Social.
A Contraf-CUT defende que o combate ao adoecimento mental seja tratado como prioridade nas mesas de negociação e que as autoridades públicas intensifiquem a fiscalização e responsabilização das empresas.
O levantamento aponta que o top 5 das categorias com mais afastamentos por saúde mental no período é composto por motoristas de ônibus, gerentes de banco, escriturários de banco, técnicos de enfermagem e vigilantes.
O crescimento recente é alarmante: entre 2023 e 2024, o total de afastamentos por transtornos mentais (somando benefícios relacionados ou não ao trabalho) saltou de 283 mil para 471 mil, um aumento de 66% em um único ano.
Segundo o INSS, o enquadramento como doença ocupacional (B91) ocorre quando a perícia médica reconhece que o problema de saúde tem relação direta com o trabalho. No caso dos gerentes de banco, 37,76% dos 13 mil afastamentos foram classificados como B91 — a maior proporção entre as categorias analisadas. Já entre os escriturários, apenas 18,77% dos quase 23 mil casos tiveram o mesmo reconhecimento.
Para o secretário de Saúde da Contraf-CUT, Mauro Salles, os dados revelam uma crise silenciosa de saúde mental que reflete o modelo de gestão adotado nos bancos. “Até quando iremos assistir a essa situação e não enquadrar as empresas? Isto não é coincidência, é sintoma de um problema estrutural”, alerta o dirigente.
Salles defende que as instituições financeiras assumam responsabilidades concretas e adotem medidas efetivas para prevenir o adoecimento psíquico. “Chegou o momento de exigir que as instituições adotem sistemas de prevenção de adoecimento psíquico — gestão de riscos psicossociais, revisão das metas, combate ao assédio e vigilância algorítmica. Elas precisam responder pelos efeitos dos seus modelos de negócio sobre a saúde dos trabalhadores”, reforça.
Para ele, o Estado e os órgãos fiscalizadores também precisam agir. “Não basta acompanhar. É preciso intervir. É inadmissível que trabalhadores bancários e de outros segmentos econômicos carreguem o peso de lucros, automação e metas agressivas sem que exista regulação eficaz, fiscalização incisiva e sanções reais”, afirma.
A Contraf-CUT vem alertando há anos para os impactos do excesso de metas, da sobrecarga de trabalho e das novas tecnologias de controle sobre a saúde dos bancários. A entidade defende o fortalecimento das políticas públicas de saúde do trabalhador e a aplicação efetiva da Lei nº 11.430/2006, que criou o Nexo Técnico Epidemiológico Previdenciário (NTEP), mecanismo que deveria facilitar o reconhecimento de doenças relacionadas à atividade profissional, mas que, segundo especialistas, vem sendo subutilizado.
“Existe um apagamento do nexo técnico epidemiológico”, afirmou a médica Maria Maeno, pesquisadora da Fundacentro, reforçando que o adoecimento mental relacionado ao trabalho ainda enfrenta grande dificuldade para ser reconhecido, tanto pelas empresas quanto pela Previdência Social.
A Contraf-CUT defende que o combate ao adoecimento mental seja tratado como prioridade nas mesas de negociação e que as autoridades públicas intensifiquem a fiscalização e responsabilização das empresas.
MAIS NOTÍCIAS
- Após mobilização sindical, 600 trabalhadores retornam à categoria bancária no Santander
- COE e Comando Nacional dos Bancários entregam pauta de reivindicações ao Itaú e cobra valorização das negociações diante da reestruturação do banco
- Justiça garante transferência de bancária para assegurar continuidade de tratamento de saúde
- Campanha Nacional dos Bancários 2026 tem início com entrega da minuta de reivindicações à Fenaban
- Sindicato dos Bancários de Assis participa da 28ª Conferência Nacional e reforça luta por mais salários, empregos e direitos
- Sindicato dos Bancários de Assis participa da 28ª Conferência Nacional e reforça luta por mais salários, empregos e direitos
- EDITAL ASSEMBLEIA GERAL EXTRAORDINÁRIA CAMPANHA NACIONAL DOS BANCÁRIOS 2026
- 28ª Conferência Nacional dos Bancários: categoria se reúne em SP para definir rumos da Campanha Nacional Unificada 2026
- Santander tenta retirar poder dos associados da Cabesp e entidades mobilizam beneficiários contra reforma estatutária
- 41º Conecef vai debater os desafios das empregadas e dos empregados da Caixa e preparar a Campanha Nacional
- Funcionários do Banco do Brasil receberão ligação para participar de pesquisa da Campanha Nacional 2026
- Dia Nacional de Luta mobiliza empregados da Caixa contra o teto do Saúde Caixa
- Movimento sindical denuncia metas abusivas e pressão crescente sobre funcionários do Mercantil
- Consulta Nacional: Contraf orienta mobilização total para fortalecer a Campanha Nacional dos Bancários
- Entidades cobram solução estrutural para a Cassi e pressionam BB por maior responsabilidade no custeio